Ordem e Progresso? (por Ivy Allen)

Ordem e progresso?
No ócio me engesso
Não sei nem buscar
Nem ao menos tentar
Aprender pra ensinar.

Tão fácil julgar
Muitas vezes nem isso
Melhor condenar
Estigmatizar virou vício.

Ta na moda ostentar, não a ajuda.
O bolso só está aberto pra valorizar bebida, prostituição, drogas, farras e afins
Quanto a quem precisa?
só Deus sabe o fim.

Sem tempo pra nada… O sucesso cobra demais.
A vida passa e pagamos às cegas
Na secura de conquistas que ao morrer não se leva.

Só agora eu percebo
E de olhos marejados eu vejo cabisbaixa assim…
Ordem e progresso?
Só existirá se começar por dentro de mim.

O Valor De Um Momento (por Ivy Allen)

O momento vem e parte como fumaça que se esvai
E eu sigo tragando agrados, estragos, gostos e desgostos.
Sabendo que continuo muitas vezes imóvel,
Outras tantas ardente.

Sigo descobrindo o destino,
Porém, inadvertida,
Deixei o coração em relevo exposto.
Da paz à chaga que dura.

Mas do que me fere faço cataplasma
Soco no pilão do aprendizado
Macero e ponho sobre a ferida
Extraio da dor o antídoto da cura.

E assim,sigo na esperança de que o desencadear dos dias,
Não deixe persistir no fundo,uma mágoa desconfiada do que virá.

Mas o tempo, essencialmente perecível, é cercado de mistério.
Existe nele somente uma certeza:
O momento da hora que nasce começa a morrer.
Surge daí a necessidade de aproveitar, de viver.

Por mais que a vida venha cheia de esperança de durar, sabe-se que é frágil.
E dessa certeza brotam entusiasmos. Delírios. Esperança de renovação. De começos.
Necessidade de deixar sinais. Marcas para ser lembrado.
E o momento, transitório e contraditório, já que não pode ser eterno:
Que seja inesquecível.

Orgulho Narciso (por Ivy Allen)

Os dias me escorrem sorrateiros e emaranhados em expectativas perecíveis.
Esforço-me para manter os olhos abertos,
Mas não é fácil sentir meu ego tratado como pateta.
Sigo tocando as pedras, nomeando coisas, conceituando pessoas…
Despindo delas os adjetivos que criei.
Estragos transcendem minha vaidade vil. Frágil, esta pode acabar antes mesmo de renovar-se.
Estaria o meu ego fadado ao perecimento?
Tal questionamento inquieta meu orgulho narciso.
Minha razão faz de mim um ser aparentemente altivo.
Convence-me que valho a tentativa alheia.
Permaneço então, fixa à beira mar. A focar o horizonte na expectativa de visualizar alguém vindo em minha direção para ficar.
E durante esse meio tempo…
Reflito a respeito da apatia que é esperar.

Densa Mistura (por Ivy Allen)

Sou um reflexo talhado de tudo o que absorvo
Por vezes sinto o peso que é o tormento de vidas inseridas em mim
A miséria do ser que tenho a viver lá fora
Por questão de sobrevivência no mundo.
Uma síntese de não eu’s projetados em um eu que consigo suportar.

Em mim mesma sinto-me diferente…
Por vezes torno-me um mister de expectativas alheias a mim.

Meus dias são uma constante travessia
Tento passar indiferente a essa densa mistura de quem estou com que alma eu tenho;
Sustentar o disfarce do que o outro quer, com o que eu quero, ou o que acho que sou.
Um malmequer em busca do meu bem querer.

Vida resultada de momentos pensados
Porém, reconheço a persuasão avassaladora da minha impulsividade
e sua influência lapidando o que me torno.

Conquistarei um dia o sossego que é a perfeição de apenas ser?

Cansaço (por Ivy Allen)

Olhos que refletem tristeza
Coração aos escombros
Entulho de sonhos implodidos por atitudes mesquinhas… Egoístas.
O que resta daqui?
Leve-me para outro lugar.
A esperança rasteja pedindo clemência,
A razão implora pra que meu ser pare de tentar se reerguer.
Tudo em mim é cansaço!
Meu ser grita por repouso… Férias de mim_ do que tenho e não tenho, do que sou e não sou.
Por hoje, escolho o nada. O vazio. Puro, infinito, completo e cheio em si mesmo. Pleno e absoluto.
É disso que preciso agora para sentir paz, mas se isso não for possível…
Que a vida me sirva ao menos doses amenas de realidade.

Suplício (por Ivy Allen)

Teu silêncio dilacera
Só tenho de retorno o eco das poesias que te recito
Vazio, escuro, sombrio… Assim é meu quarto agora.
Viver sem ar, como ei de sobreviver?

Olhar profundo, vago, impreciso.
As horas castigam-me, lembranças do passado instigam.
O que faço com tudo isso?

Tua indiferença me açoita.
Lascas de sonhos são extirpadas a cada cipoada de realidade.
Sinto escorrer o sangue que por esse amor jorrou.
Tu não me amas bem sei,
Bem sei de minha dor.

Sinto-me incapaz de mensurar o tamanho de minha agonia.
Clemência pede meu coração,
Desfigurado de tanta dor, aflição, pancadas do dia a dia.

Aos céus rogo por ajuda
Vejo-me de joelhos e sem salvação
Liberta-me, quebra essas correntes que aprisionam meu coração.
Ajuda-me a rasgar o véu dessa ilusão
Ajuda-me a libertar-me dessa prisão.

O suplício é tamanho que vejo na forca o caminho da luz
A morte dantes inimiga, agora me seduz.
Quem sabe a ceifa da navalha à paz me conduz.

A vida hoje pesa_ viver sem teu amor é a cruz que devo carregar.
Como sobreviver sem amar-te, sem teu colo meu lugar?
Tudo o que sou é saudade,
Sou um girassol sem sol, sem claridade.
Gélida escuridão, solidão, essa é minha realidade.

Maldita Navalha (por Ivy Allen)

Um cavaleiro sem espada, sem armadura e sem cavalo,
Que cavaleiro eu sou?
Um cavaleiro sem rei, sem princesa e sem castelo;
Cavaleiro sem propósito, sem amor, sem ideal.
Que cavaleiro eu sou?

Um cavaleiro sem um sonho, sem um juramento e sem uma unção;
Um cavaleiro sem vida, sem morte e sem perdão.
Que cavaleiro eu sou?

Um cavaleiro sem status, sem coragem e sem coração,
Coração que levaste quando disseste amar outro alguém.
Cavaleiro amaldiçoado por não ter o teu amor e sentir-se ninguém.

Cavaleiro sem história, sem luta, sem batalha;
Derrotado pela dor da verdade. Maldita navalha!
Teve decepada a razão, alegria, felicidade e coração.
Cavaleiro sem nada, um nada.
Não tem nem a si próprio.
Só tem o vazio e a solidão que o trata com desdém.
Esse sou eu, um cavaleiro ninguém.