Doce Orvalho (por Ivy Allen)

És como uma doce gota de orvalho deslizando entre meus pensamentos

Tua imagem se encontra pendurada nos cantos das minhas lembranças mais singelas

Te encontrar cristalizou em meus dias um novo sentido

Me brilha nos olhos o sonho de uma nova Era

És suave como uma brisa leve

Me arrebatou com sua altivez em um momento breve

A simplicidade do teu sorriso reacendeu os encantos de uma espera

Jeito bobo esse meu

Fez de tudo primavera

Agora sigo desejosa de te reencontrar entre as estações da vida

Fico assim, cuidando de jardins, conversando com plantas… parece sem sentido.

Fico lembrando da doce melodia que embalou esse meu sonho tão preciso

Enquanto sinto em meu coração a paz que causa o doce orvalho do teu sorriso

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O que o tempo fez de mim? (Por Ivy Allen)

Passei tanto tempo sonhando, desejando, buscando…

Que só quando consegui percebi que tinha mudado.

A pessoa que fez aqueles planos tinha ficado pelo caminho,

Se perdido no passado.

Passei tanto tempo sonhando, desejando, buscando…

Que quando cheguei não sabia aproveitar…. Viver nesse novo lugar.

Foi então que percebi que meus sonhos estavam no almejar

No dia a dia que eu trilhava para conquistar.

Passei tanto tempo sonhando, desejando, buscando…

Corri atrás de tudo o que quis achando que assim seria feliz

Mas, o que fazer com as lembranças que carrego no peito?

Com as experiências adquiridas meio sem jeito?

Lá vou eu caminhar outra vez…

Aprender em que o tempo me fez

Pois depois de tantos anos

Descobri que não sou mais a pessoa que fez aqueles planos

E nem sei quem me tornei.

Das coisas que não sei (por Ivy Allen)

images (20)                                                                             Fui de tantos mundos
Sentimentos mudos
Latentes
Presentes
De amores ausentes

Fui de tanta gente que nem sei
A quem eu tive?
A quem me dei?

Percalços em todos os caminhos
Pés descalços pisoteando espinhos

Sonhei tanto que nem sei
Que sonhos foram meus?
Que sonhos copiei?
Que sonhos não vivi?
Que sonhos realizei?

São tantas coisas que nem sei
Se sempre me perdi
Se em algum momento me encontrei.

Espírito Livre (por Ivy Allen)

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Eu creio no sentido da Terra

Há mais razão nesse EU que existe por detrás do que penso e sinto que minha melhor sabedoria.

Ouço falar as entranhas desse Eu que cria, que quer e que dá o valor e a medida das coisas.

Sou um ser que examina com os sentidos e compreende com o espírito

Tenho um corpo que emana vontades e um espírito livre

Meu Eros fala com sinceridade e lealdade de si mesmo.

Falo do corpo e quero o corpo

Respeito a Terra e aprendo com ela

Venci meu último Senhor: “tu deves”

E sigo com a minha verdade: “Eu quero”

Meu espírito é livre!

Cria a liberdade para uma nova criação e um santo NÃO mesmo perante o dever.

Conquistei o direito de criar meus próprios valores

E a coragem de admitir a ilusão e arbitrariedade até no mais santo “tu deves”

Essa é minha santa afirmação

Sou um espírito livre que sonha, divaga e esvoaça com as asas partidas pelos crédulos que o perseguem em prol das nuvens celestes do além-mundo.

Andança (por Ivy Allen)

Sou impulsionada pela força que a tua falta faz

A necessidade aflorada em meu coração pelo amor que sinto por ti exige que eu vá rumo ao teu encontro.

Caminho procurando por uma estrada que me leve até você

A realidade presente no caminho faz sentir-me perambulando pelo deserto à luz de um sol escaldante que me desgasta.

Sigo em companhia da minha esperança e busco pelo alívio da sombra que é você.

Rezo para que não aja de ser uma inútil andança.

Sou pura sede. Mas percebo-me às margens do teu ser e do teu amor.

Impossível saciar-me.

O mistério faz parte do teu olhar

E eu sigo com a sina de amar e despedir-me.

Mesmo assim, ainda não consegui cultivar em meu coração o desapego.

Tua imagem encontra-se instalada em minha memória

Lembranças que são como uma nascente de facetas me mostrando caminhos que ainda não havia descoberto

Nesses momentos me vejo em um oásis lavando minh’alma.

Sinto fome de ti. E tua presença é o alimento de que necessito.

Mas és ausente. E tua falta aduba o vazio que se enraíza em meu olhar.

E por mais que os dias solitários me cortem, continuo a caminhar por perceber que esse amor permanece.

Difícil extirpá-lo. Por mais que eu me faça longe, meu coração e minha mente permanecem junto à tua porta.

Aceito minha inabilidade em decifrar o que há aqui

Perdoa-me se me falta entender o que me faz pensar que só tu tens paz pra me dar.

Talvez o meu amor viva dentro do intervalo existente entre a razão e o coração.

O tempo me traz a certeza de um amor platônico implodindo tudo que existe em mim.

Remexendo meus escombros só encontro dores soterradas

Meus lamentos chovem como tempestuosos pensamentos

Me autodeprecio tentando esquecer-te. Esse amor resiste ao entrance de corpos , empilhando uma coleção de tentativas frustradas e remorsos.

Aglutinam-se a perder de vista sonhos destroçados de mais uma tentativa que sucumbiu.

Saio de mais uma relação com o peito oprimido e engolindo soluços. Carregando pedaços de momentos na cabeça e  o peso de um impreciso futuro.

Antídoto (por Ivy Allen)

Minha razão segue surda a insultos e desculpas

Não faz de qualquer sentimento a certeza de um amor

Sua repressão me sentencia ao banimento

Porém, meu orgulho sofre um perjúrio sustentado indeterminadamente

E isso aflora mais tristeza que pensara.

Ah coração de serpente vil! envenena a minha sanidade.

E de nada adianta a estupidez dos meus lamentos.

O tempo é a arma que me atinge. Que me fere. Pune. Tortura.

Porém, o mesmo tempo que intensifica o sofrimento também me servirá como antídoto.

Colapso (por Ivy Allen)

Ela se via dentro do colapso de não saber o que se passava internamente

Assimilar a substância de tudo o que ali se apresentava era improvável

Acuada dentro desse intervalo, ela não percebia as nuances de algum propósito.

Mas a seu custo, ela entendia:

_ Nada depende de sentido, as coisas simplesmente são.

Sendo assim, seria vexatório tentar responder.

Era necessário antes de qualquer conclusão, apenas seguir. Fluir com a vida.

Acompanhar seu ciclo.

Deixar o passado pra trás, por mais que inacabado;

Mesmo que sem respostas;

Mesmo que com o coração contrariado.

E rezar para que a dúvida seja de alguma serventia ou

Que o tempo possa varrer qualquer resquício de passado.

E ela agora segue guiada por um coração que não suporta mais reter a frieza do vazio. Que tem como única vontade sorrir.

Se desarma do faz de conta e liberta-se das contrariedades de amores furtivos

Protege-se de cortes, recortes.

Filtra-se das velharias tidas como relicários, mas que, no entanto, só serviam para fragmentar seu orgulho.

Agora ela percebe que de nada mais lhe servem as oscilações das suas certezas, uma vez que já foi tudo jogado ao vento. Desejos fadados ao veto.

O coração dela fez questão de ter como único caminho: Seguir.

Mesmo dentro da incerteza de não saber o que virá

Agarrado apenas ao fato de saber que o pior já passou_ você.