E-BOOK Sentimentos do Silêncio

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“Para todas as almas sensíveis
que se permitem sentir e se
abrem pra vida, mesmo que doa”.

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Mutação (por Ivy Allen)

Todos os amores que eu tive foram importantes

Cada um à sua maneira

E compatíveis com a Elisa que existia na época

E eu era muito feliz de ser a Elisa que era

E por estar com quem eu estava

Mas tudo é mutante

E a pessoa que estamos nos tornando

Pode não gostar, não se atrair ou não se encaixar

A pessoa ao nosso lado

Que também segue se modificando

E muitas vezes nem percebemos essa mudança

Somos surpreendidos pelo desconhecido

E constrangidos a nos perguntar:

O que está acontecendo?

Onde eu me perdi?

Quando e como isso ocorreu?

Saiba,

Você não se perdeu.

Só nasceu de novo e não se acolheu

Se gerou e não percebeu

Quando a ficha cai

Vem o medo

E você por muitas vezes se acovada

Tenta se auto abortar

Tenta voltar para o útero

Que era a relação que você tinha

A vida que conhecia

Mas nada anda para trás

Você é coagido a seguir

Não sabe para onde

Não sabe como

Só sabe que não existe mais lugar para voltar

Para ficar

Tudo mudou

E você nem viu

Acolhe a tua dor

Acolhe quem você se tornou

Aceita que o tempo passou

Que teu mundo mudou

E todos os mundos existentes dentro dele

Não é que tudo acabou

Tudo se transformou

É o preço a pagar por evoluir

Querer conservar o que se tem

Querer que as coisas nunca mudem

É optar por uma vida estéril

Não deixa de ser uma forma de morrer.

Confissão (por Ivy Allen)

confiss+úo

Sinto-me mergulhada em um devaneio

Tua imagem se encontra profundamente entranhada em meus pensamentos

Tão duro abrir mão dessa magia quiçá distorcida…

Se eu desse voz a tais pensamentos, o que diriam?

“_Livre enfim! Sinto-me fluir. Quis tanto escapar! Agora posso expressar:

Avistar-te foi tocante. Um momento sagrado. Emoções profundas purificam.

Te observar foi me deixar invadir por uma onda de leveza.

Cada detalhe teu me fez suspirar pelo teu toque.

Tamanho arrebate me força a precisar de ti.

Mas sinto medo! E ele me aprisiona. ”

E no exato momento em que revelo a profundeza de tais sentimentos, a asfixia emocional desvanece.

Seria o temor melhor que a efervescência que tua lembrança me provoca?

Ou que o desencanto do NÃO, a certeza do improvável?

Acho que preciso te banir da minha mente.

Impedir a abertura dessa fenda que se inicia em meu coração,

Ou ao menos,

Adestrar esse desejo selvagem que ladra impetuoso aqui dentro.

E ainda assim, acolher minha própria humanidade.

Terno Abraço (por Ivy Allen)

terno abra+ºo

Meus olhos te viram como és?

Ou, em vez disso, avistei apenas uma terra arada para plantar meus sentimentos mais singelos?

Relaciono-me contigo ou com todos os predicados que atribuí a ti?

Seria eu capaz de enxergar a tua verdade? Ou a minha?

Sinto-me composta de sentimentos diversos

Emoções que por muitas vezes não parecem me pertencer

Cada uma clama por uma expressão

E só me resta responsabilizar-me pelo acordo final

Mas de uns tempos para cá,

Parece brotar em mim algo que sinto inteiramente meu

Uma sensibilidade me abraça

E por um instante pareço levitar

Um desejo que me incita tanto quanto atormenta

E faz querer aquecer-me à lareira dos teus beijos

Me assusta entregar-me assim a ti

E fico como uma pedra inerte,

Temendo as reticências do tempo.

 

Uma Noite (por Ivy Allen)

uma noite

Trago em mim um sonho prenhe de avidez

Não posso retê-lo por muito mais tempo

Nosso encontro evocou em mim um ardor que se alimenta do vento

Sinto-me abarcada por pensamentos

 

Teimo em não acreditar que tal incidente foi um mito forjado pelos meus sentidos

Reluz em meu ser um sentimento que resvala em meus atos imprecisos

Tento manter a coerência dos meus passos que insistem em te procurar

Sinto-me internamente na contramão da direção que sigo, sem saber como te encontrar

 

Jorra em mim a sede pelo sabor dos teus lábios

De súbito tudo inflama. Transborda.

E é só nos teus braços que tal torrente pode ser contida;

Só no bagunçar da cama dividida;

Só no arroubo de carícias sentidas.

Te proponho um transporte para fora de nós e do mundo sensível

Um momento só nosso, profundamente sentido.

Uma noite que será sempre lembrada com um belo sorriso.

O que restou de nós? (por Ivy Allen)

Sinto-me novamente vagando pelo deserto que me tornei

Relembrando o caminho há muito trilhado

Enquanto a terra queima meus pés

E o desgaste provocado pelo calor me acompanha

 

Paz, onde encontrar?

Coleciono desalento

Estou envelhecendo e ainda não consegui me encontrar dentro do meu próprio tempo

Ou encontrar um ninho para habitar

Preciso descansar nem que seja ao relento

 

Vi os cacos de tudo o que vivi

E neles vi a minha vida olhando pra mim

E tudo o que eu me dediquei a amar

 

Destroços, foi tudo o que me restou?

Foi tudo o que restou do que tínhamos sonhado?

Felicidade, onde te encontro?

Onde encontro esse caminho para ser trilhado?o que sobrou de nós

Da Janela (por Ivy Allen)

Da janela eu vejo tudo o que não fiz

Tudo o que mais quis

Tudo o que não consegui.

É olhando pra fora que vejo aqui,

Por dentro de mim,

Tudo o que omiti

Ou me recuso a sentir.

Foi da janela que encontrei

O que não sabia que procurava

Foi que percebi o que não sabia que pensava

Foi que escutei a muda voz que me falava

Da janela criei mundos

Demoli

Transmutei

Me entristeci

Me superei

Da janela vi tudo o que por dentro ocultei

Odeio janelas!

Elas me fazem perto

Desperto.

Divago nesse emaranhado de coisas que não sei que sou

Concluo

Questiono

Remonto e desmonto

É um portal que me atraindo pra fora

Me traz pra dentro de mim

No mínimo irônico

Já que direcionei o olhar

Com a ideia de divagar e esquecer.janela-bus5